quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um pensamento bolha...



É estranho pensar em como o amor une pessoas completamente desconhecidas. É pensar em como conexões tão fortes e tão íntimas, como laços tão profundos e não planejados se estabelecem entre indivíduos que muita das vezes têm objetivos e sonhos tão diferentes dos de seus parceiros...


É estranho perceber que eu me perca em reflexões desse tipo se aceito tão facilmente o fato de ter me apaixonado por um jovem aspirante a engenheiro. É tão estranho que nossas diferenças encefálicas e zodíacas tornem os nossos sentimentos tão recíprocos e verdadeiros. O amor, só posso dizer: é antítese.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Do Mais Puro Desespero



Choro, estremeço e a resposta não vem.


Rezo, imploro e berro pro interior


Da minha alma sangue e cega


Que a muito não me contem.




Me esvazio da culpa que me grita dos seus olhos


Chamo meu nome “santa” jurando


Que trago o coração só seu.




Não sei se ignoro o erro que estranhamente cometi


Ou se fecho os olhos tentando enxergar que sou pó pra ti.

sábado, 26 de junho de 2010

Versejo Fúnebre


Quero nem papel nem caneta,
nego a pena.
Quero chorar e é só isso.
Chorar até sentir a alma seca
até secar a dor e só.
Só enfiar punhal no leito da saudade.
Só esquecer o calor do corpo,
quero a morte lenta da minha própria humanidade.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Para Todo mal: Há cura




Essencialmente crítico, debochado, descontraído ou descompromissado, o senso de humor é um sinal de maturidade psicológica e intelectual de um indivíduo.


Pode parecer confuso julgar como “maduras” algumas modalidades de humor – obviamente piadas que escarneçam as diversidades e liberdades de escolha alheias não estão incluídas – mas, ao contrário dos pressupostos, pode-se dizer que por mais boçal que pareçam, são excelentes colaboradoras para a sanidade mental: sem as piadas obscenas, as risadas em contextos inadequados, o riso incontrolado em meio a situações desesperadoras, nós, seres humanos, sucumbiríamos a infelicidade, a angústia, a hostilidade e a selvageiria do nosso atual caos social.


Rir é uma excelente forma de tornar a realidade mais aceitável; não é necessariamente uma maneira de evadir-se de tudo, mas sim um socorro gratuito que facilita aos homens diminuir o fardo de existir em contextos muitas vezes violentos, sofridos e duros.


Talvez a cura da humanidade esteja bem mais acessível do que todos pensávamos; caso não nos cure, o remédio do riso – se rir é o melhor remédio – pelo menos nós fará, pelo instante que dure, um pouco menos miseráveis.



quarta-feira, 2 de junho de 2010

Confissão de um Amor Tímido

Fecharia os olhos pelo tempo que fosse

Apertaria pálpebra contra cílios

Fortemente

Pra sentir o toque suave do teu corpo envolvendo o meu

Queria poder, em fantasia,

Rever toda a sua maneira

De me encantar...

Todo afeto e caricia

O riso farto e meigo dos seus olhos pregados aos meus

Sentir na boca o gosto gozoso do beijo

A textura ímpar da saliva

E o arrepio ardente que me percorre o corpo todo

Quente...

Achar entre todas as formas descritas

A mais segura de me perder entre todas essas palavras ditas

Que insistentemente abraçam o papel

Pra dizer que eu amaria acordar meus olhos e morar em você.

domingo, 25 de abril de 2010

Lamúria




Doces foram os sonhos interrompidos.

Duras as lágrimas iniciadas

O peito arfante de saudades

Na boca o gosto amargo da desesperança;



Os olhos já imperfeitos de tão inchados

Os lábios rubros mesmo sem tinta.

O que me fazia dar graças à divina bondade todos os dias

Traz-me um soluço infindável e um aperto nas entranhas.



Oh senhor Deus, o que aqui se faz aqui se paga?


Diga-me oh Senhor Deus: porque se paga o mal que não se fez?


Diga-me oh Senhor Deus: o que fazes com aqueles que desonram sentimentos tão dignos de honra?


Diga-me oh Senhor Deus: porque não arrancas meu peito fora se dele não tiras essa erva daninha que me consome me desprezando.


Diga-me oh Senhor Deus: porque me destes veneno em frasco de amor...



Leva-me oh Deus Pai para teus braços, e em silencio profundo e consolo imenso, me negas as respostas dessas indagações vis.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Anáfora



Pingos d’água açoitam minha janela

Pingos d’água caem me açoitando

Colocando-me em névoas nostálgicas...

Bem se sabe que a chuva não é de ter coração.


Toca mansa uma música em minha janela

Toca mansa e me martiriza

Acentua-se a quimera da lembrança...

Bem se sabe que a música não é de ter dó de ninguém.



A chuva cai lá fora

Reviro-me atrás da janela

E dentro de mim uma janela se transtorna

Tudo lembrando a ela...



Oh vida passada!

Oh saudades que tenho de ti

Oh dor que trago em mim

Oh pena que a vida me destina!



Toca mansa a melodia dos pingos em minha janela

A noite se arrasta entre transtorno e sossego

Chove no céu uma lágrima amarga

E ela desliza melodicamente dentro de mim.