terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Decepção


Ontem eram flores úmidas, regadas e saudáveis

Hoje aquele jardim perdeu um pouco de vida.

É como se uma luz se apagasse, dentro de mim, como algo se partisse

E como se meu jardim murchasse.

As flores tornaram-se opacas. Sinto um vazio desolador.

E sinto dor. Tristeza.



Como pudestes ser tão egoísta?

Tu que me colocastes na Terra e me destes a vida que agora se esvai.

Tu que destes a luz que que se apaga, cada dia mais célere.


Está onde a minha proteção?

Deveria ela ser tua sina.

Está onde teu zelo pela minha felicidade?

Deveria ela ser tua vontade.


Sina materna, meio angelical.

Pena eu ser tão solta e tu tão desleal.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Semáforo - Crônica

Estava andando na calçada bem ao lado de cerca de 30 automotores; carros, motos e ônibus lotados.
Eram 02h27min p.m e, de acordo com Aurélio Buarque de Holanda Ferreiro – 4°Edição, Editora Nova Fronteira, Revista e Ampliada do Minidicionário Aurélio – os motoristas observavam vigilantes a sinaleira –“poste de sinalização rodoviária ou ferroviária; para orientação do trafego” – que, no momento, exibia a elétrica luz vermelha, sussurrando um não silencioso em meio aos sons da cidade.
Distraidamente, passando ao lado dos veículos forçadamente imóveis, desacelerei o passo e passei a observar um casal numa motocicleta ali ao lado: quem conduzia era o homem, um baixinho com longo bigode acobreado e, sentada com as mãos envoltas em sua cintura, ia uma mulher loura, com os cabelos escorridos dando no meio das costas.
O baixinho olhava o retrovisor e a mulher fixava os olhos no semáforo avidamente.
A essa altura eu dava olhadelas de lado pra vê-los, pois, mesmo em meu passo lento, eu já avançara deixando-os às minhas costas. Foi ai que notei: o homem da motocicleta olhava do retrovisor da sua Titan 125 cc na minha direção e quando nossos olhos se cruzaram naquela curiosidade mutua, notei certo iluminamento em seu rosto e ele se virou cutucando a mulher loura apontando na minha direção ao mesmo tempo em que sibilava algo que eu não pude entender.
Ela então se virou, sem descer da moto e me acenou, sorrindo, enquanto ele chamava meu nome e buzinava.
Sem muita reação, observei outros automóveis começarem a buzinar simultaneamente – um espaçoso Opala Comodoro ano 86 acabara de fechar o cruzamento.
Ao embalo do barulho do trafego, o sonoro hino ensurdecedor da cidade de Belo Horizonte, acenei de volta sem reconhecer o simpático casal.
A essa altura o semáforo se abrira, o Opala desimpedira a passagem e o fluir dos transportes. A motocicleta já se perdera no caos de automóveis e eu, ainda estagnada fiquei ali...

“Mais um dia
os automóveis, as pessoas
passam por mim
Faces num movimento de vida
História vividas na pressa
Percorre os hábitos do dia a dia
A chuva cai
molhando um rosto já molhado
mais um dia...” (Patrícia Menezes)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Lembrança Duma Noite de Calor Tropical



Tomada de pronto à luz dum gracejo
Recebeu, pois dum moço com nítido festejo:
Bilhete e rosas brancas
Dessas que marcam as moças inda brandas.

As faces nuas eram agora escarlates
As pernas rosadas eram bambas e febris.

Não me lembro qual era o som que nos embalava
Mas tinha o gosto quente e auspicioso
Duma noite de calor tropical
Onde lábios e saias dançavam
Boêmios e voluntários.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Afeto infecundo



Enlouqueço,
Perco o sono.
Choro aos Deuses e Demônios
Faço trabalhos e traço manias para alcançá-la

Aborreço-a
Beijo-lhes os pés
Lavo-lhes os cabelos às lagrimas

Peço, rezo e imploro.
Louco, cego e obcecado.
Por fim, desvairado digo que te esqueço.
E engano você e o papel.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pequena observação

Caros leitores,

O ano de 2009 ficou para trás deixando lembranças para todos nós.
Posso dizer que foi um ano profissionalmente bom para mim : é claro que passei por altas e baixas na minha produtividade... Postei muito em alguns meses e muito pouco em outros. Mesmo assim, foi bom.

Nesse novo ano que nos consome e que nos "mede", espero postar com determinada regularidade e inovar o Lirismo Meramente Duvidoso da melhor forma possível.
Como já se pode observar o Blog ganhou novas feições e novas opções para maior interação com o leitor.

Gostaria de anunciar também que meus textos serão postados regularmente às terças.
Talvez, em breve, teremos nova autora postando no Lirismo e novos tipos de textos também.

Espero que as novidades soem agradáveis e poéticas à todos vocês que assistem à minha poesia e, quem sabe, à poesia de novos escritores(as).

Obrigada por me acompanharem até aqui.
Espero maiores contatos, mais críticas. A interação com o leitor é agradabilíssima.

Abraços poeticamente alegres a todos!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Da voz dos Desgraçados




O sol se põe
Tento erguer os braços,
Grossas correntes me prendem e nunca afrouxam.

O Sol torna a surgir
Os punhos ardendo
Ergo meus olhos de desamparo
Tento gritar? A voz morre na garganta... Mal posso sibilar um pedido de clemência

De alguma forma atroz, vetaram também minhas lágrimas.
Esgotaram minhas forças e morreram meus árduos esforços vãos;

sábado, 9 de janeiro de 2010

Eventualidade Urbana


Recordo-me, clara e até lucidamente, daquele meio-dia e vinte e cinco - Quarta-feira, no Centro – quando sua imagem surgiu, muda e estonteante na calçada da Cidade.

Naquele sorriso de pronto que ofertou, me sorriu em diagonal
Comprimindo os lábios e enrubescendo a macia pele do nariz.

Não esqueço: os ombros à mostra, cabelos leves presos em coque.
A tonalidade do céu pareceu ínfima
Paixões súbitas soaram possíveis
Concretização de sonhos imperfeitos, real.

Num piscar: flores e bilhetes foram enviados
Sorvetes tomados no banco da Praça principal
Beijos roubados ou retribuídos

... E eu continuo ali. Sempre na mesma cena.
Vidrado. Perdido em pensamentos repentinos, daqueles que se têm em meio à multidão apressada que passa.

Lembro-me Dela intacta, esculpida quase.
Não havia a real possibilidade de não recordar
Seu penteado e o sorriso de lado. A franja curta que lhe vinha aos olhos quando um vento astuto batia.

Só posso esperar que me siga e me assombre.
Emolduro na memória a lembrança
De uma linda mulher feita em quadro.