Ela o venera intensa e profundamente.
Tão ansiosamente que doa o próprio orgasmo
E tão desesperada e viciosa que arregala os olhos
E arranca às suas órbitas pra vê-lo.
Imoderadamente o socorre,
Convulsivamente o devora.

Dotou-lhes Deus de consciência corpo alma e poesia.
Costurou-lhes em uma das mãos a pena.
O tinteiro pôs em suas almas
Nele o sentimento do mundo.
Deu-lhes diversas formas figurativas.
Entregou-lhes o papel e a forma
Pompa e Eloqüência
Ritmo e musicalidade louca.
Depois de tudo feito Ele parou
Olhou de perto
Descansou e viu que era feito bom e deu-lhes
Asas próprias. Alçaram vôos.
Pena e tinteiro em mãos:
Pintaram os Céus de vermelho e
Morreram de amores imperfeitos.
Não que eu esteja realmente concentrada. Não que eu sinta, realmente, o ímpeto de escrever. Absolutamente é como se eu não estivesse com vontade alguma. Minto – conscientemente.
É Carnaval de muito movimento aos arredores da casa no qual me encontro. Meus ouvidos estão tampados. Não que a música não toque lá fora, excruciante. Minha sintonia é bem vaga com esse mundo lá fora. Obviamente existem motivos. Talvez eu os conheça – provavelmente eu os saiba enumerar.
Não é por desapreço ao ritmo. Não é por medo. Estou submersa em tristeza... Um buraco no peito tomou o lugar do encanto. Perdi o jeito.
Vivencio minhas horas obscuras. A solidão não exatamente me conforta. Me liberta. Todas as lágrimas trancafiadas, toda infelicidade recôndita...Posta fora. Os conselhos do silêncio me movem não sei a que lugar nem com qual finalidade.
Não tenho me esforçado para deixar meus pesadelos de lado. Não quero ser hipócrita. Ao mesmo tempo não quero me estender materializando e eternizando minhas marcas pessoais. Não devo ser uma mercenária da dor que me condena.
Devo parar por aqui. PONTO
