segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Meu Mal


O mal desse meu sorriso
É que some toda vez que não te vejo.


O mal desses meus olhos castanhos
É que mesmo molhados de lágrimas,
Insistem em buscar-te toda vez que me despeço.


O mal desses meus lábios
É que tremem e se negam a dizer-te um adeus
E me traem quando minto dizendo não querer-te mais...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Quem Sabe Mãos-Dadas

Põe um sorriso no rosto,
Musa sublime que me define.
Nos seus visgos olhos castanhos,
No fio loiro de cabelo que pende por sobre o lábio mordido;
É onde me imagino: entre beijos ternos e breves sussurros
E através do tempo dando-te a mão.
Já tentei em outros braços, mas são em seus abraços
Que coloco todo o amor do mundo.

Não há quem melhor amar;

Não posso mais disfarçar
O colorido que inspiras
E meu notar nos seus olhos que, num piscar, me levam do frio ao fogo.

Pudera agora que um mesmo despertar lhe ocorresse
E te fizesse, nos meus braços, dormir meus sonhos.

São nesses seus olhos que quero ficar.

domingo, 25 de outubro de 2009

Um leve toque de poesia...







Dia quente, sim.
Contrário à isso o céu me parece abatido, sem fôlego.


O calor infernal faz crescente meu desespero

E as nuvens escurecem, maculando o firmamento de cinza.




Dentro de mim uma campina repleta de flores sem luz.
A Angústia me devora...
Dou-me conta: perdi um pedaço.
Olho envolta; só vejo à mobília.

Sinto o corpo amolecer de saudade.
Vazia? Confesso.
Abstinência forçada pelo destino; à sua ausência avassaladora.





Respiro seu cheiro de olhos fechados e tenho medo de abri-los e não rever, no armário do quarto,às suas velhas camisas pólo...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Expressão




Tamanho era o desespero
Que lhe tremiam as pernas
A própria mão tocava o sexo o
Seio e a solidão;

Sozinha, conhecedora de seu intimo
Deitava-se na mesa, no sofá
Imaginava-se a fruir de si mesma
A arranhar o próprio seio
E a amar-se no chão.

e tentava-se,
mirava-se;
na boca dela o próprio beijo
obcecada por observar o próprio gesto
ansiosa em sentir o próprio sexo.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Doce Lembrança

Ando querendo fugir!
De sumir e me perder de ti.
Que posso, além disso, fazer?
Se não me entendes por entre as linhas das sílabas que te digo
E te grito por sobre os telhados.
Juro ter tentando intermináveis vezes trazer som ou letra ao que sinto.
Nem mesmo abriste as cartas que lhe enviei...
Não ouviste nada do que, exausta, faço ecoar na minha voz!
Juro ser esta a ultima vez... Farei desse, meu ultimo cantar à lembrança
Do antigo amor;

O que escrevi aqui você jamais ouvirá sair da minha garganta...
Pois sinto que as lágrimas, amigas do amor romântico - aquele irrealizável -
Insistem em saltar dos meus olhos, já felizes por outro cantar:

A ti jurei eterno amor e eterno cantar
Jurei dar-lhe minha vida
Estender-lhe a mão
Esquentar-lhe nas noites gélidas de tristeza
E nas do choramingo do luar.
Não posso, porém cumprir tal jura
Na plenitude do que, naqueles tempos, sonhei.
Meu sentir por você, amor, transformou-se numa coisa
Qual a ternura e o prazer das doces lembranças da velha infância.
Ainda tens meu coração
Mas não ousarei dá-lo outra vez.
Pois te amo da mesma forma que um cancioneiro ama uma senil canção de amor.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Culpa




No meu peito fez morada à dor


Que sobe a cabeça e que traz aos olhos a gota.


A lágrima.


No engolir da saliva me desce uma faca ou um pedaço partido de vidro que me estraçalha a garganta!


Vem de onde tão descomunal emoção? Que engloba todos os sistemas, tecidos e nervos... É decorrente de quê lesão?



Vêm do dolo semi-inconsciente que se transformou de súbito em terror.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Varanda da Fazenda


Deitado na rede,
senti o sopro d’uma brisa leve e ouvi
o acorde primeiro dum violão.
Era Deus ou era Ela?
Aspirei o aroma, quente e amadeirado, que subia, e aquecia minhas narinas, daquele copo de café.
No silencio que me tomou seguia-se a canção...
Melodia leve... Lenta que me lembrava os tempos da mocidade.
Passado belo: pai e mãe vivos, violão afinado, casa cheia de amigos e uma moça á espera no portão.
E na lembrança nostálgica que me tomou seguia-se a canção...
Era Deus ou era Ela?
Não sei...
Era tão linda a serenata que Ela ou Deus tocava e invadia
Por um instante do tempo, naquele envolver da melodia
me esqueci da ausência Dela.